Ipatinga, 10 de agosto de 2020

O Padroeiro

A Devoção

O início desta história aponta para a Vila de Setúbal, em Portugal. Em meados do século XVII, foi encontrada, por pescadores, uma imagem de aproximadamente 1,5 metros, flutuando no mar. Era uma imagem de Cristo Crucificado, de braços abertos, como se estivesse em ascensão aos céus. Foi um espanto para a Vila. Logo, agricultores da região e todos os marítimos de Setúbal passaram a venerar, com grande devoção, aquela imagem milagrosa. Discutiram qual “o fim” dariam para aquela imagem. Deveria ser um “ Bom Fim”, pois aquele advento da imagem era sagrado. Não tardou, pela dinamicidade da língua, ficar conhecida como Nosso Senhor do “ Bomfim” ( escrita com m). A pequena ermida, até hoje existente, que hora se chamava “ Anjo da Guarda “, abrigou aquela imagem poderosa. Com o passar do tempo, dado ao alto grau de visitação e de preces feitas àquela imagem, passou a ser chamada “ Capela do Senhor do Bonfim “.

No Brasil, a réplica perfeita da imagem original chegou à cidade de Salvador, no ano de 1745, trazida de Portugal pelo Capitão de Mar e Guerra Theodózio Rodrigues de Faria. E, assim surgiu um dos monumentos sacros mais importantes do Brasil, que é a igreja do Senhor do Bonfim.

Em 1972 iniciaram-se as primeiras reuniões de oração, partilha da palavra de Deus e demais atividades religiosas que ocorriam nas dependências da Escola Estadual Polivalente. Buscando encontrar um local definitivo para construir a igreja, membros da liderança foram solicitar à Prefeitura Municipal de Ipatinga junto ao prefeito da época, Sr. João Lamego Neto, que cedeu o terreno na Rua Sigmund Freud , próximo ao ribeirão que divide Cidade Nobre e Vila Celeste. A líder comunitária, Sra. Marina Oliveira Soares, questionou ao então prefeito a inviabilidade da construção de uma igreja naquele terreno, por estar muito afastado do centro do bairro e muito próximo ao ribeirão . Em acordo com o prefeito, João Lamego Neto, mediante à planta do Bairro Cidade Nobre, acordaram em trocar as áreas , onde a Sra. Marina Oliveira Soares escolheu o local, onde hoje está localizado o Santuário Senhor do Bonfim.

Na época, os fiéis referiam-se à igreja como sendo Igreja do Bairro Cidade Nobre e , ao mesmo tempo, questionavam junto às lideranças qual seria o padroeiro da Igreja. Várias opiniões surgiram, mas nenhuma definição.

Segundo a Sra. Marina Oliveira Soares estavam em calorosa discussão, sobre diversas questões como: que nome vamos colocar, qual levaremos para apresentar ao padre José Miranda? Falei assim: “ Gente, vamos com o Senhor do Bonfim, Ele é o nosso Senhor Jesus Cristo Crucificado, a razão e o sentido da nossa fé.” Essa convicção em relação a escolha do padroeiro deve-se à experiência que teve ao visitar em romaria a Igreja do Senhor do Bonfim, em Salvador: “ Pessoas humildes, simples, rezando com profundo amor e adorando Jesus. Ajoelhados diante daquela imagem, chorando, emocionadas, sentindo o amor de Jesus, e eu também chorei muito, fui muito tocada, fiquei impressionada, pensei, nossa igreja podia ter Ele como padroeiro, Ele é o Senhor que vai nos acolher em nosso fim”. Todos foram concordando e , ao apresentar ao padre José Miranda a escolha do Senhor do Bonfim, ele aprovou. Devemos muito a ele que nos acolhia, orientava e dialogava muito com a liderança comunitária . A igreja conhecida como Igreja do Bairro Cidade Nobre, passou a chamar Igreja do Senhor do Bonfim.

A Devoção Chega ao Santuário

No ano de 1972 iniciaram-se as primeiras reuniões de orações e partilha da Palavra de Deus no intuito de se buscar e encontrar um local definitivo para a construção da Igreja católica no bairro Cidade Nobre. Até então as atividades religiosas ocorriam na Escola Estadual Polivalente, hoje Canuta Rosa. Definido o local à rua Graciliano Ramos inciam-se os trabalhos da construção do templo e imbuídos deste objetivo foram promovidas barraquinhas, leilões e recebidas doações. Não só o templo como também os leigos participaram deste projeto com sua força pastoral a fim de evangelizar. Senhor do Bonfim foi sugerido como padroeiro pela líder comunitária Marina Serra após uma viagem sua à Bahia, momento em que vivenciou um encontro profundo com essa devoção. Tal piedade foi tomando conta dos demais fundadores da Comunidade Senhor do Bonfim.

Acorreram tantos fiéis à igrejinha que ela não poderia mais acolher as pessoas por questão de espaço. A comunidade crescente ergue novo templo em estilo colonial, três vezes mais ampla que a primeira. A antiga Igrejinha torna-se então sala de reuniões. Porém, em 1988 a Igreja novamente torna-se pequena para acolher os fiéis sob o cenário de uma cidade e um bairro que crescia vertiginosamente. É proposta a construção de um novo espaço e com o apoio de empresas como Ipaminas e Usiminas, o novo templo foi erguido através do trabalho incansável de fiéis leigos da Comunidade. A construção é finalizada em 2006 e diante de tamanha alegria e para a inauguração do novo e definitivo templo, é celebrado o 1º Jubileu do Senhor do Bonfim com a presença do bispo diocesano Dom Odilon Guimarães Moreira e do pároco José Geraldo da Silva Reis, do grande incentivador e fundador do Jubileu, Pe. Efraim Solano Rocha.

O Santuário Senhor do Bonfim está voltado a profunda piedade popular, oriunda do amor primeiro legado por dona Marina Serra. Que neste templo onde a graça e intimidade com o Senhor do Bonfim é favorável, Ele representado de braços abertos, pronto para acolher com amor a todos que se achegarem a Ele.