Ipatinga, 19 de outubro de 2021

O que resta do 11 de setembro

13 de setembro de 2021   .   

Há vinte anos o ataque terrorista que mudou o curso da história.

O que resta vinte anos depois do ataque mais sangrento da história? Antes de mais nada, uma imensa sensação de perda. Naquelas terríveis horas de 11 de setembro de 2001, foram ceifadas a vida de três mil pessoas. Mães, pais, filhos e amigos foram arrancados para sempre do abraço dos seus entes queridos. Vidas encurtadas por uma loucura assassina que tornou real algo até então inimaginável: transformar aviões em mísseis para semear morte e destruição. Nos vinte anos desde aquela trágica manhã na costa leste dos Estados Unidos, os jovens cresceram órfãos e os pais continuam a chorar os seus filhos que nunca mais regressaram a casa. O que nos impressiona, hoje como então, à medida que percorremos os nomes das vítimas são as nacionalidades – mais de 70 – a que pertenciam. Um ataque, então, aos Estados Unidos, mas ao mesmo tempo ao mundo, a toda a humanidade. Foi o que se sentiu naquelas horas agitadas e talvez ainda mais nos dias que se seguiram, à medida que a imensa escala da tragédia se tornou mais clara. Never Forget’, “Jamais esquecer” é a admoestação que hoje se destaca no Ground Zero Memorial. Duas palavras que foram repetidas inúmeras vezes ao longo dos últimos vinte anos para sublinhar que a memória não pode, não deve falhar quando a dor é tão grande.

O que também permanece indelével daquele dia é o sentido de sacrifício, o testemunho daqueles que deram as suas vidas para salvar as vidas de outros. Impressiona pensar que um décimo de todas as vítimas de 11 de setembro eram bombeiros. Em Nova Iorque, uma geração inteira de bombeiros morreu naquele dia. Morreram para salvar vidas. Subiram as escadas das Torres Gémeas à medida que as pessoas desesperadas desciam. Sabiam ao que estavam indo ao encontro, subindo aquelas escadas cheias de escombros e envoltas na fumaça, mas não pararam. Eles sabiam que só a sua coragem, só o seu sacrifício poderia salvar aqueles que ficaram presos nos arranha-céus atingidos pelos aviões. Se o já trágico número de mortos não assumiu uma dimensão ainda mais catastrófica, é graças a eles, aos bombeiros e outros socorredores que encarnaram a força do bem face ao mal desencadeado.

Uma herança amarga do 11 de setembro de 2001, e isto em nível global, é a sensação de insegurança e medo com que estamos agora, de alguma forma, habituados a viver. Tomar um avião já não é uma “coisa normal” a partir desse dia. Por outro lado, os ataques terroristas de origem islamista, que se seguiram ao terrível de 2001, por obra  de Al Qaeda, deram força aos teóricos do “choque de civilizações”. Neste período de vinte anos, os movimentos xenófobos e antimigratórios cresceram, efeito colateral de uma instabilidade que estava precisamente entre os objetivos daqueles que realizaram o ataque no coração dos Estados Unidos. Infelizmente, tal como surgiu tragicamente nas últimas semanas no Afeganistão, os Estados Unidos e o Ocidente não conseguiram oferecer uma estratégia à altura do desafio epocal colocado pelos ideólogos do terrorismo global. Vinte anos após o 11 de setembro, os talibãs – que tinham dado refúgio a Osama Bin Laden – estão de novo no poder em Cabul e o ISIS voltou a atacar de uma forma sombria e, em muitos aspectos, surrealista. Hoje, portanto, há muito mais perguntas do que nós não resolvidos sobre o futuro, enquanto os custos, antes de mais em vidas humanas, da reação a esses terríveis ataques são muito elevados.

Então, o que resta do 11 de setembro? Vinte anos mais tarde, ainda nos lembramos do lema United We Stand, “Unidos estamos em pé” que se tornou, também visivelmente através de bandeiras e cartazes içados nas ruas de Manhattan, a resposta espontânea dos nova-iorquinos ao horror vivido em 11 de setembro. Ao longo dos anos, esse lema assumiu um significado cada vez mais amplo e profundo. Estar em pé juntos apesar das tentativas de “derrubar” a nossa comum humanidade. Hoje, aquele apelo à unidade, à “fraternidade humana” – como nos recorda incansavelmente o Papa Francisco – torna-se a única “estratégia” vencedora. Uma estratégia que requer clarividência, coragem e paciência na convicção, como salientou João Paulo II imediatamente após os ataques, de que “mesmo que a força das trevas pareça prevalecer, o crente sabe que o mal e a morte não têm a última palavra”.

Alessandro Gisotti – Vatican News

Imagem Capa: Pixabay

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